Opinião: O Grito do Corvo, de Sandra Carvalho



 
O Grito do Corvo
de Sandra Carvalho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 256
Editor: Editorial Presença
  




Sinopse: 
Os piratas do Rouxinol veem-se cada vez mais longe de saquear o ouro da galé castelhana Niña del Mar devido aos estragos causados pela violenta tempestade que se abateu sobre o barinel. A descoberta da identidade de Leonor faz com que Corvo queira regressar de imediato aos Açores, para entregá-la à guarda do pai. Porém, a tripulação discorda e o caos instala-se a bordo. O que Leonor mais deseja é lutar ao lado dos companheiros e recuperar a confiança de Corvo. No entanto, Tomás Rebelo continua a precisar dela para alcançar o propósito funesto que o levou a assenhorear-se de Águas Santas. Conseguirá Leonor chegar incólume à misteriosa ilha das Flores, conhecer o Açor e abraçar a irmã, ou acabará abandonada por Corvo, à mercê dos caprichos do abominável Tomás Rebelo?

Rating: 4/5
Comentário: Fiquei super contente quando soube que o volume final da trilogia "Crónicas da Terra e do Mar" seria publicado em plena época da Feira do Livro de Lisboa. O segundo volume tinha saído em Abril e despertado a curiosidade dos leitores e leitoras para o desfecho que se avizinhava. De facto, as últimas páginas do volume anterior deixaram uma série de sequências narrativas em aberto e com a promessa de ser exploradas, e foram estas as que mais captaram a minha atenção desde as primeiras páginas.
Desvendo o segredo que as encobertou durante grande parte da narrativa Leo e Guida vêem-se expostas a novos desafios e aventuras, junto aos companheiros de sempre, mas com outra visão sobre o seu posicionamento a bordo. A promessa de aventura não foi esquecida e a autora contemplou os leitores com mais cenas agitadas e perfeitamente enquadradas no enquadramento prévio. Guida mostra-se preocupada com a amiga, Leo mostra-se continuadamente guerreira e corajosa (em todas as frentes) e o mundo místico ganha força novamente e debruça-se sobre vários acontecimentos mais ou menos improváveis.
Não posso dizer que tenha ficado excepcionalmente surpreendida com este último volume (com a excepção de um ou outro momento), mas correspondeu totalmente às minhas expectativas e ao desfecho quem julgo, muitos leitores também esperavam.
Tendo esta trilogia sido a minha estreia com a autora, não tenho como pautar notas comparativas perante os os seus outros trabalhos, mas posso confessar-me agradavemente surpreendida. Com uma linguagem corrente, mas o mais adequada possível ao tempo histórico mas também ao público-alvo, Sandra Carvalho traz-nos diálogos vívidos, cenas descritas com classe e pormenor quando este é necessário, uma teia de enredos perfeitamente encadeados e todos com o seu desfecho merecido.
Confesso que esperava algo mais quanto à questão do Tomás Rebelo, que me pareceu facilmente resolvida perante tamanhas patranhas já por si executadas. Ainda assim, a forma como esse momento foi desenvolvido foi também credível, permitindo dar continuidade à história onde esta ainda tinha o que explorar.
Os Açores, finalmente alcançados, trouxeram a paisagem verde e o rebuliço de uma comunidade local próspera e capaz, conduzida por prescritos e piratas que a tornaram no paraíso almejado por muitos. As descrições, ainda que breves, permitiram que mesmo os que nunca pisaram terrenos vulcânicos e areias sedimentares pudessem sentir-se próximos das paisagens já vistas em postais e fotografias.
Por outro lado, a evolução das personagens perfez uma condução suave que permitiu o desenvencilhar de vários nós e a colocação de sementinhas para novas aventuras. A verdade é que, não sabendo se outra história neste universo pode ou não estar a caminho, a intenção da autora não passou certamente despercebida aos seus mais fiéis fãs, que estão tão ou mais curiosos do que eu.
O que também não passou despercebido foi a mensagem preliminar de cada uma das capas, assim como dos títulos selecionados, todos com muita intenção, e bastará que percam alguns segundos a analisá-las, que depois de terminarem a história concordarão comigo!
Foi um livro que me deu imenso prazer ler, tanto que o terminei em dois dias. É leitura perfeita para o verão: fresca, leve, desconstraída e enredo envolvente, totalmente apropriada para a praia ou jardim.
Fiquei agradavelmente surpreendida com o trabalho da autora, e vou estar atenta aos próximos trabalhos da mesma.
Resta-me somente agradecer à Sandra Carvalho e à Editorial Presença o carinho com que este volume foi enviado e esperar que o mesmo chegue a muitos leitores e leitoras este Verão!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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